
Um
momento histórico
É
gratificante vivenciar a História do Brasil e ter a consciência
de que hoje somos protagonistas da maioridade e da maturidade
democrática do país, passados 18 anos da reabertura política,
simbolizada pela campanha das Diretas, ao assistirmos pela
primeira vez uma candidatura tipicamente de esquerda chegar ao
poder pelo voto direto da maioria da população.
É a vitória irrefutável e simbólica de uma nova alternativa
política, social e econômica para o Brasil, sempre na
perspectiva da ampliação e da consolidação da democracia e
das conquistas sociais. É a vitória de toda uma geração que
se dedicou à vida pública e à construção de uma nova
realidade político-partidária, que se concretiza com a
eleição de um operário à Presidência da República, vencendo
todos os preconceitos, tabus, estigmas e resistências elitistas.
Lula tornou-se o porta-voz de amplos segmentos progressistas
comprometidos com propostas ousadas e transformadoras da nossa
realidade, com enfoque em parâmetros como a ética, o
aprofundamento da democracia, a inserção soberana do Brasil na
economia globalizada e a retomada do crescimento econômico
amparado na crença de um processo de redistribuição de renda,
na implantação de políticas públicas voltadas para a
inclusão social e na melhoria da qualidade de vida.
A vitória do PT é também a celebração de cada um de nós,
partidários desses mesmos princípios, valores e ideais. É a
vitória de cada agremiação política que participa desta longa
a árdua trajetória democrática no país. Por isso, também o
PPS se considera vitorioso, por ser parte ativa na disseminação
destas idéias e propostas tão generosas e possíveis de serem
implantadas.
Se não bastasse todo o avanço histórico representado pela
eleição de Lula, vimos derrubadas "certezas
absolutas" que não resistiram ao confronto com a realidade.
Um ano atrás, dava-se como certo que Lula seria derrotado pela
quarta vez consecutiva, pois a sua candidatura não resistiria ao
peso da máquina governista. Criticava-se o PT ora pelo
isolacionismo absoluto, ora pela amplitude exagerada da nova
política de alianças, aberta a tudo e a todos, do PL a José
Sarney, de Orestes Quércia à Igreja Universal. Mas o PT provou
seu amadurecimento ao levar adiante a estratégia traçada para
chegar ao poder, superou a rejeição, conquistou o apoio da
maioria do eleitorado e, ao que parece, não alterou nenhum
milímetro do seu programa de governo original.
Com toda essa conjugação de fatores, tornou-se inegável que
Lula era o nome que melhor representava os anseios do povo
brasileiro, por condensar em torno de si a oposição ao modelo
econômico em vigor, que empobrece o país e trai as esperanças
da nação. No caso do PPS, portanto, o apoio irrestrito,
incondicional e entusiástico ao presidenciável do PT no segundo
turno foi uma decisão política coerente com a nossa história e
as nossas tradições.
Fez-se o pacto que há tantos anos cobrávamos dos partidos de
centro-esquerda e dos setores progressistas e democráticos.
Nessa perspectiva, defendendo as mesmas prioridades e reafirmando
compromissos históricos, apoiamos e trabalhamos ativamente pela
candidatura Lula. Quem teve humildade e sensibilidade para
perceber isso, festeja hoje esta vitória.
Nossa expectativa agora é de que, eleito Presidente da
República, Lula possa consolidar, a partir de uma postura aberta
e pluralista, a amplitude imprescindível à vitória eleitoral e
à complexa construção de um governo de ampla coalizão
democrática para o exercício conseqüente do poder, sobretudo
na delicada situação em que se encontra o Brasil.
Neste aniversário da nossa maioridade democrática, damo-nos um
presente de patriotismo e cidadania. A esperança venceu o medo.
A responsabilidade social derrotou o terrorismo político. E
treze anos depois, corrigido o erro de 1989, o povo repete o voto
no 13. Pois então, sucedendo a era FHC, marcada pela
estabilização da moeda e pelo fim da inflação desenfreada,
esperamos um novo tempo com menos desigualdades, com a
democratização das oportunidades e a retomada do
desenvolvimento com justiça.
Seja qual for o resumo do governo Lula, ao final do mandato de
quatro anos, uma coisa é certa: o Brasil caminha para a
frente".
Maurício
Rudner Huertas, jornalista, é coordenador da ONG Vergonha Nunca
Mais!, pela ética na política, secretário de Comunicação do
PPS/SP e presidente municipal da Juventude do PPS/SP