O Partido Popular Socialista (PPS),
constituído formalmente em 1992, é o herdeiro legítimo
das melhores tradições do antigo PCB, o
"Partidão" de tantas tradições.
Fundado em 25 de março de 1922 com o nome
de Partido Comunista do Brasil, o PCB tem em sua origem a
luta dos trabalhadores brasileiros do começo do século
e as idéias socialistas de Karl Marx e Friedrich Engels
- o que transformou a história do partido numa eterna
briga para se manter na legalidade e para fugir da
perseguição política e do patrulhamento ideológico
promovido pelas forças mais retrógradas e conservadoras
da sociedade.
Poucos meses após sua fundação, o PCB é
posto na ilegalidade (julho de 1922). Torna-se um partido
legal apenas em 1945, com a derrota do nazi-fascismo na
Europa e a queda do Estado Novo no Brasil. Volta à
clandestinidade dois anos depois (maio de 1947), quando
tem seu registro cassado pelo governo Dutra. Mesmo
clandestino, participa ativamente da política nacional.
Em 1961, depois do V Congresso, muda seu nome para
Partido Comunista Brasileiro. Apenas em meados da década
de 80 conquista definitivamente sua legalidade.
Durante toda a sua trajetória, o Partido
deixou a sua marca na História do Brasil. Iniciou a
discussão da reforma agrária quando o assunto ainda era
tabu, assim como lançou o movimento pela unidade e
autonomia sindical. Contribuiu decisivamente para a
cultura brasileira - na bossa nova, nos CPCs, no Cinema
Novo. Foi o primeiro partido a levantar a bandeira da
democracia como saída para o regime militar instaurado
em 1964.
O PCB teve grande parte de sua militância
presa, torturada e morta nos porões da ditadura. Foi o
pioneiro, na esquerda brasileira, a integrar-se às
amplas e profundas mudanças que ocorreram no mundo, no
final dos anos 80, início dos anos 90. Em seu X
Congresso, em 1992, acompanhando as transformações do
socialismo e das esquerdas em todo o mundo, altera seu
nome para Partido Popular Socialista e se despe de
antigos dogmas e preconceitos.
Assim, o PPS é um partido novo,
democrático, socialista, inspirado na herança
humanista, libertária e solidária dos movimentos
sociais e das lutas dos trabalhadores em nosso país e no
mundo.
"A opção pelo novo socialismo
implica a renúncia a qualquer modelo-guia. Queremos
construí-lo desde logo, através da implementação de
um projeto político reformador e capaz de transformar
para melhor a realidade sócio-econômica brasileira. Uma
via processual de caráter revolucionário, centrada na
democracia, o que requer: a socialização da política;
a prevalência dos interesses públicos sobre os
privados; o controle social da produção; a co-gestão
nas empresas públicas e privadas; a ampliação da luta
em defesa do meio ambiente, pela igualdade dos direitos
entre homens e mulheres e pelos direitos das minorias."
(Manifesto do Partido Popular Socialista, Janeiro/93)
A HISTÓRIA
No ano de 1922, pelo menos três grandes acontecimentos
varreram o Brasil de ponta a ponta, com sua influência e
reflexos de cunho cultural e político: a Semana de Arte
Moderna, a eclosão da Revolta dos 18 do Forte de
Copacabana, que descortinou o forte e influente movimento
tenentista posterior, e a criação do PCB, com a
denominação de Partido Comunista do Brasil. Conforme
acentuam historiadores, os três fatos não tiveram
necessariamente nenhuma ligação entre si, mas no
processo histórico acabariam, de alguma forma, por se
encontrar. Representavam uma grande "sacudida"
do País em direção à modernidade.
O PCB foi fundado em 25 de março de 1922, data de
abertura de seu I Congresso, no Rio de Janeiro. Nove
delegados, representando 73 comunistas, muitos deles
egressos do movimento anarquista, deram vida à
organização, como Seção Brasileira da Internacional
Comunista, cujo centro revolucionário irradiador era
ocupado pelo Partido Comunista da então União
Soviética. Os delegados representavam as cidades de
Porto Alegre, Recife, São Paulo, Cruzeiro, Niterói e
Rio de Janeiro; Juiz de Fora e Santos não puderam enviar
representantes.
Segundo o livro Memória Fotográfica (Editora
Brasiliense, 1982), a "fundação do PCB coroa um
processo que, arrancando das mobilizações operárias e
grevistas do fim da guerra, potenciadas pelo exemplo da
Revolução Russa, derivou na formação de vários
grupos comunistas no país (Rio Grande do Sul, Rio de
Janeiro, Pernambuco) e que, antes, já articulara um
efêmero Partido Comunista de traço anarquista".
Portanto, o PCB era a ultrapassagem histórica do
movimento revolucionário que se empreendia no Brasil na
época, fortemente hegemonizado pelos anarquistas. Esta
hegemonia passa para o PCB, a partir de 1930.
Fundaram o PCB os seguintes
revolucionários: Abílio de Nequete (barbeiro),
Astrojildo Pereira (jornalista), Cristiano Cordeiro
(contador), Hermogêneo Silva (eletricista), João da
Costa Pimenta (gráfico), Joaquim Barbosa (alfaiate),
José Elias da Silva (funcionário público), Luis
Peres (operário vassoureiro), Manuel Cendón
(alfaiate). Além de Nequete, foram eleitos para
compor a primeira executiva as seguintes pessoas:
Astrojildo Pereira, Antônio Canellas, Luís Peres,
Antônio Gomes (efetivos); e Cristiano Cordeiro,
Rodolfo Coutinho, Antônio de Carvalho, Joaquim
Barbosa e Manuel Cendón.
É uma tarefa árdua, que certamente
ficará a cargo dos historiadores, descrever e
enumerar com precisão os dirigentes históricos do
PCB. Todos deram vida ao partido, alguns se tornaram
homens públicos reconhecidos mas outros continuam
ainda anônimos para a história. Vários passaram
pelo PCB e também dele se distanciaram, ou para
integrar outras correntes de pensamento, à direita e
à esquerda, ou simplesmente para se dedicar a outros
projetos de caráter pessoal. Centenas perderam suas
vidas, em função da luta generosa pela justiça e
pelo socialismo.
O dirigente pioneiro é Astrojildo Pereira,
intelectual e então líder anarquista e considerado
até hoje como um dos mais originais pensadores do
socialismo em nosso País. Morreu em 1967.
Na linha dos líderes históricos, o
mais destacado deles é Luis Carlos Prestes, que
ocupou por várias décadas as secretaria-geral do
partido.
Na vertente do novo PPS, o partido seria
dirigido posteriormente por GiocondoDias, Salomão
Malina e, atualmente, por Roberto Freire.
O PCB , na verdade, é uma galeria histórica de
grandes líderes revolucionários. Desde os seus
fundadores, passando por Agildo Barata, Leôncio
Basbaun, Gregório Bezerra, Apolônio de Carvalho,
Mário Alves, Carlos Marighella, Maurício Grabois,
Arruda Câmara, Mário Alves, Davi Capistrano,
Roberto Morena e tantos outros.
Desta galeria de dirigentes, grande parte deles
poderiam ser classificados como heróis. Entretanto,
não foi este o sentimento que os moveram.
Foi, isto sim, a certeza de que o Brasil
e o mundo poderiam ser transformados para melhor.
A mesma certeza que move, hoje, o PPS.
LUTAS POPULARES E DEMOCRÁTICAS
Não existe nenhuma luta de conteúdo
democrático e de massa travada no Brasil nos último
século que não tenha contado, de alguma forma, com
a participação dos comunistas.
O PCB nasceu de seus compromissos com os
trabalhadores e com o movimento revolucionário por
profundas transformações em nossas estruturas
econômicas e sociais. Como disse Ferreira Gullar em
memorável poema, o PCB não se tornou o maior
partido do Ocidente mas ao se contar a história do
Brasil é preciso falar dele ou "então se
estará mentindo". Enumeremos algumas destas
ações:
Trabalhadores
e Sindicatos
Uma das grandes tarefas do PCB, ao ser criado em
1922, foi contribuirpara organizar os trabalhadores
em sindicatos e associações. Já em 1930 passou a
ter a hegemonia do movimento sindical e nele teve
presença decisiva até início da década de 80,
quando foram criadas a Central Única de
Trabalhadores - CUT e a Confederaçao Geral dos
Trabalhadores - CGT. Os dirigentes sindicais
comunistas deixaram seus nomes fortemente impressos
em lutas que redundaram na adoção da jornada de 8
horas, do 13º salário, dos direitos
previdenciários, da legislação para otrabalho da
mulher e do menor, entre outras conquistas sociais.
Reforma
Agrária
Os comunistas também foram pioneiros na luta pela
reforma agrária. Particularmente após 1940, o PCB
organizou sindicatos de trabalhadores rurais pelo
Brasil afora, atuou em parceria e em conflito com as
Ligas Camponesas, liderou grandes levantes e
movimentos no campo como no Estado do Paraná e em
Trombas e Formoso, no Estado de Goiás. Criou a
União de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do
Brasil - ULTAB nadécada de 50, e, em 1962, fundou a
Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura - CONTAG, sob a presidência do dirigente
comunista e líder camponês, Lyndolpho Silva.
Pertenceu aos quadros do PCB um dos mais conhecidos
líderes camponeses de todos os tempos, o saudoso
Gregório Bezerra.
Democracia
e Liberdade
O PCB esteve na linha de frente no combate a duas
ditaduras, ambas extremamente violentas: a de
Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, e a dos militares,
implantada em 1964. Contra elas, o partido deu seus
melhores homens e energias. Esteve no comando da
democrática Aliança Nacional Libertadora, em 1935,
que conseguiu liderar levantes de envergadura como em
Natal e Recife; no combate à ditadura militar, teve
centenas de militantes presos, muitos torturados,
vários exilados, e mais de duas dezenas mortos.
Sempre bateu-se, nestes momentos, pela anistia e
pelas liberdades. Foi uma das principais forças, em
1965, a criar o MDB que se transformou no principal
instrumento político para isolar e derrotar
aditadura. Com a derrota da campanha pelas eleições
diretas em todos os níveis e consciente da sua
estratégia democrática, aceitou enfrentar o
Colégio Eleitoral, que sufragou Tancredo Neves/José
Sarney, enterrando o regime militar.
Guerra
e Paz
Na década de 30, reafirmando seu caráter
internacionalista, foi para as ruas defender a
entrada do Brasil na II Guerra Mundial, ao lado das
forças aliadas e contra o eixo nazi-fascista.
Solidarizou-se com as revoluções chinesa, cubana e
com os movimentos libertadores na AméricaLatina
(Bolívia, Guatemala, El Salvador e Nicaragua) e na
África (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, além
da luta do povo sul-africano), bem como esteve ao
lado do Vietnã revolucionário contra o
intervencionismo americano. Atuou em várias frentes,
organizados pelo movimento socialista internacional,
a favor da paz e da amizade entre os povos.
Estado
e Investimento
As fileiras do PCB nunca faltaram com o fervor e o
apoio à criação de empresas estratégicas como foi
o caso da Petrobrás, da Companhia Siderúrgica
Nacional, da Eletrobrás e da Telebrás. As cores dos
comunistas, juntamente com outros segmentos
nacionais, impulsionaram nas ruas a campanha do
"Petróleo é nosso". O PCB encorajou
aimplantação de organismos como a SUDENE e apoiou o
presidente Juscelino Kubitschek na criação de
Brasília.
Movimentos
Sociais
Não se pode falar da história da UNE e dos
múltiplos movimentos de mulheres sem se referir ao
PCB e aos comunistas. Os comunistas também sempre se
fizeram presentes nos movimentos contra a carestia,
defesa da Amazônia, pelas reformas de base e por
bandeiras como a do parlamentarismo.
Cultura
e Liberdade
Uma das grandes contribuições históricas à
organização da sociedade brasileira neste século
circunscreve-se ao campo da cultura. Em um país
pouco dotado de universidades e centros de pesquisa,
os comunistas tiveram papel destacado no campo das
artes, da pesquisa social/histórica/econômica, e
editorial. O PCB criou várias editoras ao longo das
últimas décadas, introduziu no Brasil grande parte
da literatura socialista e marxista, editou revistas
em várias áreas de interesse e chegou a publicar 10
jornais diários diferentes no período da
democratização de 1946, constituindo-se em uma
grande cadeia deinformação e debates, talvez só
suplantada pelos Diários Associados de Assis
Chateaubriand. Foi, talvez, a maior escola de
jornalismo do Brasil pelo menos até o final da
década de 50. Além do que, passaram pelo PCB, entre
outros nomes ilustres da ciência e da cultura
brasileira: Oswald de Andrade, Patrícia Galvão
(Pagu), Jorge Amado,Graciliano Ramos, Raquel de
Queiróz, Carlos Drumond de Andrade, Álvaro Moreyra,
Afonso Schmidt,Eneida de Moraes, Mário Schemberg,
Edson Carneiro, Catulo Branco, Cândido Portinari, Di
Cavalcanti, Oscar Niemayer, Vilanova Artigas,
Aparício Torely (o Barão de Itararé), Caio Prado
Júnior, Nelson Werneck Sodré, Edgard Carone, Dias
Gomes, Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha),
Gianfrancesco Guarnieri, Paulo Pontes, Mário Lago,
Leon Hirsmann, João Batista de Andrade, Cláudio
Santoro, Silas de Oliveira, Noca da Portela, Bete
Mendes, Francisco Milani, Stepan Nercesian, entre
muitos outros.
Mais
informações sobre o PPS no site http://www.pps.org.br
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